30.11.09

amor à primeira vista #2




Já há muito que me rendi a estes dois, mas o projecto The Swell Season torna Glen Hansard e Marketa Irglova absolutamente irresistíveis. O vídeo é só uma amostra, a verdadeira delicia está aqui.


'Cause there's no further for us to fall


p.s.: eu não ia dizer nada mas...obrigada pela dica :P

22.11.09

28 nós


basta que te dispas até te doeres todo,
retoma-te no tocado, no acesso,
e fica cego e,
por memória do tacto, desfaz os nós,
muitos, muito
atados uns nos outros (...)


Herberto Helder

e encontrar assim as respostas. que soam simples. como se bastasse querer. para conseguir revolver o interior. para esticar a corda. que sufoca. que me prende. para sempre (?). num passado que insiste em não ser distante. como se o vestisse a cada instante. como uma pele. sem que possa despir-me desta capa que me prende os movimentos. que me faz sempre temer que isto não chegue. talvez seja culpa dos nós. há muito atados. sem folgas. sem margem para fuga. sem espaço para conquistar os sonhos mais ousados. os mais simples. são nós que insistem em lembrar-me cada falha. como se a cada passo em falso se atasse mais um. e se cada nó me serve de degrau, antes queria que os pudesse desatar. e usar essa corda para outras memórias. para outros nós. mais direitos. usar essa margem para prender outros sorrisos. que ficassem melhor no estendal. que me trouxessem outras sensações a cada vez que me estico assim. na corda. a cada vez que sustenho por instantes a observar o percurso. como que a fazer um ponto de situação. a medir os metros de corda já gastos. mas também os que me restam. o que quero fazer com eles. deixar-me ficar assim a imaginar novos nós mais sedutores. que conquistem outras cordas que em mim se vão prendendo. por aqui e por ali. fechar assim os olhos e ficar. sonhar novas formas de me prender. desejar novos nós onde me possa agarrar. onde possa finalmente descansar. onde esteja segura. aos quais não tenha de fugir. que não voltem a sufocar-me. mas que não me deixem cair.

19.11.09

Azimutes #3

(ou como nas coisas simples se encontram as melhores respostas)



"Mando um fax ao Kim e pergunto-lhe sobre isto do vácuo. Se é um tema que ele domine. Se me pode explicar o que é. Ele manda-me um fax de volta e diz que o vácuo é o nada. Sem ar. Sem nada. Isso é o vácuo. Esperava que fosse algo mais. Mas no fundo chega. Se não é nada, não há razão para defino-lo de forma complicada.
"

Erlend Loe in Naif. Super.

19.10.09

a vida é uma montanha russa...


...e a minha avariou em pleno looping.


20.9.09

(whispering that it’s) all for the best

Waking up and the bed was made
No one looked me in the eye
More I try, More I cry
And it’s all for the best

Watched my brother cutting grass outside
Sitting on the porch he told me
It’s a long way to go before we can rest
But it’s all for the best

You’re so beautiful it sings
On a lonely lazy morning
And when I see you rocking back and forth
Whispering that it’s all for the best

One day the stone will roll away
Soon you’ll see anekatips.com
you’re far away from home but never far away from me
And that’s all for the best

(…and say you love me)

Promise me, son, not to do the things I’ve done
Walk away from trouble
(at the end of the day)

Say you love me
say you love me

Let’s just say you love me






porque às vezes precisamos convencer-nos que este é o melhor caminho. apesar de longo. apesar de nem sempre fácil. porque precisamos que nos sussurrem ao ouvido que no fim tudo terá valido a pena. mesmo as noites em branco que passamos sozinhos. mesmo as manhãs em que acordamos sem ter onde perder o olhar. e mesmo as tardes em que sonhámos em vão encontra-nos. é tudo pelo melhor.



17.9.09

em contagem decrescente...

...para dia 4 de Novembro :)

Aqui fica o vídeo de Boat Behind, o primeiro single de Declaration of Dependence, o novo álbum dos Kings of Convenience. Doce como sempre. E a deixar-me novamente nostálgica. Mas uma nostalgia da boa. Daquela que nos deixa um sorriso parvo na cara. Fica apenas a faltar-me a companhia para uma noite que se prevê memorável :P



14.9.09

rescaldo 1#

(depois de mais um dia isto faz-me muito mais sentido se for com cores...)

descobri que, apesar dos medos, trabalhar aqui é simplesmente um luxo. muito há para fazer mas nada que se compare à satisfação de poder respirar a vida num dos bairros mais típicos de Lisboa. muita é a responsabilidade de estar por minha conta. trabalhar num trapézio sem rede. ter de ser eu a minha maior crítica. aprender a gerir os poucos recursos. inventar estratégias para colmatar as falhas. foi apenas a primeira semana mas sei que muito há para fazer aqui. muito me pode ensinar esta gente que me acolheu com um bem-vinda à Graça! e tão bem que sabe andar na rua e sentir-me em casa. e tão bom que é criar rituais. e desfrutar desta vista todos os dias
...

7.9.09

a minha vida é um lugar estranho


quem me conhece sabe que sim. não faltam histórias que não lembra a ninguém. nem a mim - que lentamente as vou perdendo pelo caminho. porque aqui nunca nada foi linear. comum. simples. para cada degrau existe um sem fim de armadilhas. e em cada conquista sempre o sabor amargo que me lembra que isto ainda não chega. como se tivesse constantemente de provar o meu valor. talvez porque nem eu acredito. sei que haverá sempre algo de bizarro à minha espera. embora nem sempre as surpresas sejam más. apenas irónicas. como agora que literalmente do nada se abre no caminho a tal oportunidade que desejava. que em menos de nada se torna a história mais inesperada de sempre e que logo havia de ditar para hoje o inicio de profissão. acertando com uma precisão quase cirúrgica no dia em que me perdi. como se me fosse dada a hipótese de retroceder onze anos. pergunto-me se será a tal segunda hipótese. a possibilidade de refazer tudo desde aquele preciso segundo. agora pelo caminho certo. como se agora é que fosse mesmo a sério. e o resto tivesse sido só um treino.

p.s.: estas coincidências que preenchem os meus dias dão (mesmo) muito que pensar...


o primeiro dia


Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo

dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
(...)
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Sérgio Godinho


hoje é o dia. o primeiro. de muitos (espera-se). na alma uma amálgama de emoções. muita coisa sentida. e outras tantas por sentir. e as perguntas que não param. nunca. que me obrigam ao esforço constante de compreender aquilo que pelos vistos não se explica. no coração um nó que não deixa soltar as palavras. por isso ficam estas. que dizem tudo. ou quase. as outras virão no dia-a-dia. no resto da vida que agora (re)começa.


24.8.09

(ainda) há dias perfeitos


madrugar. caminhar na praia. a brisa do mar. o café nas Avencas. apanhar o comboio. perder o olhar na paisagem. não ter pressa. abraço(te). voltar a sorrir. a Ponyo à beira-mar. sentir-me criança outra vez. preparar o farnel. perder-me na Gulbenkian. encontrar um paraíso à sombra. e ficar. só porque sim.
deitar (quase) tudo cá para fora. e descansar. e ler. e (sim) dormitar. deliciar-me com o gelado. passear. correr bairro acima. perder-me de riso na farmácia. e correr bairro abaixo. e encontrar(te). encontra-nos. e ver que (afinal) nada mudou.
o vento na viagem. a música do
antigamente. voltar à baía. agora protegida. perder-me na multidão. o David Fonseca. reviver melodias. com novos arranjos. pinta-las com novas imagens. e achar-te na multidão. prender-me a esse olhar que diz tudo. e ver-te feliz. abraçar(vos). e (por momentos) sei que afinal não quero fugir.
(hoje)
tenho
aqui tudo o que preciso.



21.8.09

vidas alternativas #5


Durante muito tempo pedi que pudesse parar. Pedi momentos de sossego. Pedi que partilhássemos apenas o silêncio. Precisava de uma ilha em que conseguísse respirar e repôr energias. Queria apenas admirar os detalhes. Focar cada pormenor para que mais tarde me servissem de alento. Alimentar-me dos pequenos nadas. Deslumbrar-me com cada sorriso. Render-me a cada suspiro. Guardar na memória cada palavra largada aqui e ali. Preencher os vazios com os pequenos nadas. Saber que tudo era espontâneo e sentido. E sentir que esse pouco era para mim o alento bastante para o dia-a-dia. Mas hoje é diferente. Preciso do movimento continuo. Preciso sentir que o mundo ainda gira. E peço que não me deixes parar. Para não ter de pensar. Peço que me preenchas de estórias que permitam evadir-me. Peço-te palavras que me levem para longe. Não suporto a ideia estar mergulhada nesta escuridão. Preciso dessa tal linha que me una a um mundo alternativo. Em que tudo seja linear. Em que tudo seja (ainda) possível. Preciso fingir que está tudo bem. Preciso agir como se estivesse. Como se não fizesse qualquer sentido falar do que vai cá dentro e focar-me apenas no que se passa aí fora. Como se por momentos eu pudesse não estar . Preciso ouvir falar de outras vidas que me façam esquecer a minha. Preciso de outra vida. Que me preencha. Preciso de me deslumbrar novamente com as palavras. De me deixar levar por sonhos. De me deixar convencer que vai passar. Que já passou. Que posso deixar-me dormir sem medo de me desfazer no vazio. Que podemos afinal voltar a partilhar o silêncio.


19.8.09

amor à primeira vista #1




...está em repeat há umas horas e sim, o moço é o Ryan Gosling com a sua banda
Dead Man's Bones


p.s.: ai, ai (suspiro)

13.8.09

Núvem 9


...e, muito de vez em quando, aparece um filme a sério. Daqueles que me fazem sair do escuro do cinema com a cabeça cheia de questões. Daqueles que nos trazem imagens demasiado fortes para se desvanecerem com o passar dos dias. Que nos ensinam coisas que não queremos (ou podemos) esquecer. Há uns dias fui finalmente ver o Wolke 9, cujo título em português é qualquer coisa como Nunca é tarde demais para amar...vamos lá nós saber porquê!

Fica claro logo nos primeiros minutos que neste filme não há lugar para indiferenças. Por muito que se queiram ignorar as imagens, e abafar o desconforto com risinhos tímidos espalhados pela plateia, a verdade é que ninguém pode evitar ver que, afinal, o sexo não é algo apenas disponível para corpos novos e esbeltos, como nos querem vender todos os dias. Aqui somos confrontados com o inevitável facto de estarmos a envelhecer. E com a crua realidade de talvez não estarmos a seguir o caminho que queremos. Mesmo a contragosto somos questionados sobre o que procuramos realmente numa relação. Bastará o amor para nos sentirmos vivos? Como reagiremos quando confrontados com uma nova paixão? Haverá uma forma certa de agir? Será mais importante a intimidade construida na partilha diária ou o estimulo do desconhecido? Seremos capazes de abandonar uma relação em que vivemos a ilusão da segurança, apenas porque encontramos alguém que nos lembra que, afinal, ainda estamos vivos? O que será realmente mais importante...protegermo-nos na estabilidade que construimos ao longo dos anos, ou arriscar tudo e voltar a sentir?


p.s.: mais uma vez, muitas perguntas. poucas respostas e uma enorme vontade de perder horas nesta discussão...

ponto de situação #3

Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente

Sérgio Godinho


Tenho aqui um nó. Do tamanho do mar. Todos os dias me sento aqui. Olhar perdido no cursor. E nada, nem uma palavra. Aliás, vem uma. Depois outra. Mas não há meio de conseguir organizar as ideias. Talvez nem seja suposto organiza-las mas preciso realmente de fazer aquele exercício de empacotar as coisas para ganhar espaço para as restantes. Há uns meses tinha resgatado aquelas palavras do Sérgio Godinho, para que as pudesse deixar aqui quando terminasse o curso. Na altura faziam-me sentido. Hoje continuam a fazer. Mas é um sentido diferente.
Passei anos a lutar por este sonho de criança. Posso afirmar que longo desses anos nada foi fácil. Mas eu aceitei todos os desafios. Lutei contra quem se opôs. Construi castelos de areia. Iludi-me que quando aqui chegasse seria finalmente feliz. Tudo seria quase, quase, perfeito. Tracei todos os caminhos com detalhe e, agora que aqui cheguei, vejo que não me levam a lado nenhum. Sempre julguei que chegar aqui seria sinónimo de alegria, de festa. Agora olho em volta e percebo que todos os que estavam comigo na partida estão agora longe. Ou demasiado longe. Dou por mim a olhar em volta e sinto que já ninguém compreende realmente o que isto deveria significar. Nem mesmo eu. A verdade é essa. Este sonho foi perdendo sentido à medida que tudo se foi desmoronando ao longo dos anos. A única coisa que restou foi o meu capricho de conseguir chegar ao fim. Mas de que nos vale chegar à meta se pelo caminho formos perdendo aqueles que queríamos abraçar à chegada?
Ironicamente, ou não, aquelas palavras pertencem a uma música chamada Liberdade. Quando as guardei pensava que seria essa o meu sentimento. A certeza de poder finalmente libertar-me de todo este peso que trago. Poder ser agora livre para novos sonhos. Mas a verdade é que me sinto agora mais presa. Sinto-me apertada por uma força que me impede de continuar a lutar por ir mais além. De continuar a exigir tudo aquilo a que tenho direito (?). Sinto um cansaço imenso. E sim, tenho medo! Sinto-me mais frágil. Preciso agora do tal porto seguro onde possa descansar e recuperar energias para (talvez) um dia voltar a partir. Preciso deixar que o corpo se molde ao que surja no caminho. Sem questionar demasiado. Apenas sentindo o que isso me traga de bom. E, por uma vez, deixar-me levar pela corrente...


6.8.09

we’re half-awake

in a fake empire.





Turn the light out say goodnight
no thinking for a little while
lets not try to figure out everything at once
It’s hard to keep track of you falling through the sky



p.s.: se te pudesse explicar o que foi esta surpresa...(obrigada!)

4.8.09

ponto de situação #2


Quando se chega ao final de uma etapa sente-se um vazio não é?


...pois, e é tal o vazio que nem me encontro dentro de mim.




18.7.09

Vemo-nos no caminho?

Hoje foi O dia! O dia em que nos deram o diploma que certifica o trabalho dos últimos 4 anos. Pediram-nos que levássemos connosco um vídeo para abrilhantar os nossos segundos de fama. Alguém teve um dia a fantástica ideia de começar sempre estas coisas por ordem alfabética portanto eu sou sempre a primeira...vá, eventualmente a segunda! Hoje não foi excepção e, logo após a Adriana, ali estava eu a subir ao palco, com honras de ser chamada como gosto! Infelizmente o vídeo não passou como devia mas não foi isso que estragou a festa! A pedido de algumas famílias aqui o deixo, até porque sei que muitos gostariam de ter estado presentes mas não conseguíram! Tem um pedacinho de todos aqueles de quem mais gosto embora tenha descoberto que não tenho nenhuma foto com algumas pessoas que me são mais especiais. Em alguns casos consegui dar a volta à questão e juntar algo simbólico :) Obrigada a todos por cada pedacinho vosso que me enche o coração...




p.s.: Ficou a faltar o Tiago,
amigo com A grande, de quem não tenho nenhuma foto :O temos de colmatar esta falha pá!

15.7.09

ponto de situação #1

Há vários dias que procuro as palavras certas para o que me vai na alma. mas como explicar este misto de sentimentos que trago comigo? como descrever este estado algures entre a euforia e a apatia? entre a alegria e a melancolia? pensei que um dos dias mais felizes da minha vida fosse aquele em que realizasse o sonho de acabar o curso...mas a verdade é que não o sinto. aqui dentro há uma angustia suavizada apenas pelas fantásticas memórias destes quatro anos. há uma interminável saudade das únicas pessoas que poderiam compreender o que significa este dia. há uma enorme revolta por ter perdido pelo caminho pessoas tão queridas. há muitas palavras presas e que anseiam por ser ditas. e há um gigantesco medo de perder estes amigos, que pegaram em mim e sem os quais me teria perdido...




...quanto a mim será sempre, apenas e só, um até já :)


27.6.09

estava mesmo a precisar...


...parar uns minutos sob as estrelas
a ver o ondular do mar
.


9.6.09

as mãos vazias


It's only after you've lost everything
that you're free to do anything

fight club


acordei e vi-me assim. de mãos vazias. no peito um buraco. a alma desfeita em mil pedacinhos. muitos deles levados pelo vento. para sempre. como um puzzle que é impossível completar. a carteira cheia de nada. as noites, cada vez mais longas, pintaram-se de branco. preenchidas apenas pelas imagens desfocadas que o tempo foi deixando. são apenas recordações que não consigo rever com exactidão. como fotos tiradas aqui e ali sem qualquer ligação aparente. como estrelas semeadas no céu de Inverno. brilham mas não iluminam o meu caminho. voltei a tropeçar. e, a cada queda, volto exactamente ao mesmo ponto. como se nunca tivesse chegado a partir. pergunto se algum dia serei realmente capaz de sair daqui. conseguirei livrar-me deste peso que me faz sempre regressar? quando será que me liberto de vez
disto tudo e consigo avançar?


3.6.09

Buba


hoje esta casa parece maior. sei que nunca mais será a mesma. vejo-te aqui e ali. ainda consigo ouvir-te a pedinchar por mais mimos. a exigir atenção. há coisas tuas espalhadas pelos cantos. os teus pêlos ainda voam pelo chão. fazes aqui falta. vais fazer sempre. deixaste-nos a noção do que é ser especial. do que é ter uma melhor amiga que nunca falha. daquelas que estão sempre à nossa espera nos momentos mais difíceis. ficam agora as memórias que desenhaste nestes 12 anos de vida em comum. E, acima de tudo, fica um vazio enorme que nunca será preenchido...


2.6.09

I can't hold this state. Anymore.



This uncertainty,
Is taking me over


28.5.09

e agora?


Já várias vezes que dei por mim a desejar ter um google formatado à medida da minha casa. eu escrevia simplesmente chaves, e aparecia um link com a sua localização exacta. mais útil ainda seria com as papeladas, que teimam em ganhar asas! eu digitava certificado de habilitações e, algures numa tela, surgia o seu esconderijo. não vejo nada mais eficaz para me ajudar a encontrar as peças de roupa perdidas, em pilhas, no quarto da minha irmã. que outra ferramenta poderia ser mais eficaz para encontrar aquele cd que desapareceu sem deixar rasto? juro que já por várias vezes dei por mim sentada, de olhar fixo no cursor que pisca sem parar, enquanto me contenho para não escrever o nome de algum dos livros que teimam em fugir da estante...

...e sim, confesso, muitas são também as vezes em que sonho que esta ferramenta se pudesse adaptar à minha vida. que eu pudesse escrever as questões e obter a resposta certa em menos de um segundo. que pudesse pedir um mapa para o meu destino e me surgisse à frente a melhor rota para lá chegar. e hoje digitava um simples e agora? e recebia de volta as instruções. as tais que ninguém sabe onde estão guardadas.

20.5.09

pequena nota mental

"...your honour, we have a verdict: this man's heart is deficient!
he loves but his love worth nothing"


in Angels in America

14.5.09

obsessão!

Chegou o último desafio, a última prova. Finalmente posso acreditar que sou capaz de ganhar este jogo. Nestes metros que me restam as forças já são quase nulas. A motivação vem da imagem da meta que vejo aproximar-se a cada dia. Finalmente consigo vê-la. Mas honestamente ainda não a consigo sentir. Não me parece tão agradável como sonhava mas alcança-la é cada vez mais uma obsessão...



2.5.09

vidas alternativas #4

sim, admito, falta-me confiança. esta é a crítica que mais me têm feito nos últimos tempos. tenho a força para enfrentar o que me aparece pela frente. mas falta-me a determinação quando tenho de ser eu a arriscar. dou tudo o que tenho nas situações limite. provo que tenho a capacidade para ultrapassar o que venha. mas falta-me a coragem de ir atrás daquilo que preciso. enquanto não me sinto apertada. preciso sentir-me perdida para conseguir avançar. recuso-me apostar tudo. escolho sempre contentar-me com o pouco que me vá aparecendo. só quando me vejo vazia é que acordo e sinto que esse pouco não chega. queria conseguir arriscar. deixar-me ir. simplesmente sentir. vencer este medo que teima em aparecer nas piores alturas. que teima em estragar os melhores momentos. que me faz perder as imagens mais bonitas. que tantas vezes me afasta para onde eu possa passar despercebida. que me deixa escondida a ver os outros avançar. enquanto eu fico para trás. por detrás da máscara. no mundo dos sonhos. do que poderia ser. alimento em silêncio as ilusões que não arrisco viver. a insegurança não é de agora. mas os seus danos são cada vez maiores. a cada hesitação a dor torna-se mais forte. a cada passo em falso o medo cresce. a cada vez que me desiludo a confiança diminui. complica os actos mais simples. torna um simples olá numa missão impossível. obriga a que o sorriso sincero se esconda. impede que se aperte o abraço mais espontâneo. e adia mais uma vez aquele beijo que ficou por dar.


26.4.09

SOCORRO!!!

Já sabia que isto ia ser mau...mas não tão mau! A maratona de estágios , que dura desde Novembro, acaba de vez 5ª feira. Será finalmente a despedida do Júlio de Matos. A despedida dos turnos malucos, da farda manhosa, dos sapatos torturantes e dos orientadores fantasma. Mas o pior está para vir...tenho 7 dias para acabar o relatório final dos estágios. Parece-me é que já o devia ter começado!!!


p.s.: raio de vida...logo agora que há aí tanta coisa melhor para fazer :S snif, snif...

20.4.09

Riceboy sleeps

Com este tempinho da treta não há humor que resista. A minha salvação dos últimos dias tem sido este vídeo de Daníell in the sea, o primeiro single do álbum Riceboy Sleeps, resultado da junção do Jónsi Birgisson com Alex Somers. Mal posso esperar por Julho para poder mergulhar nas restantes músicas...



(...) sometimes it feels like a record coming back at you across the seas of time, with ancient washington phillips-style tumbling musical figures and stumbling crescendos as slow as a sunrise, or a weightless mantra-like choir singing from somewhere in the middle ages down the centuries.



p.s.: ...e isto faz-me lembrar um segredo que tenho guardado e que me tem feito sonhar ;)


11.4.09

perdida no escuro


escuro comprometedor
era um túnel
do amor
e eu só liguei os mínimos

Samuel Úria


9.4.09


The body aches
And that ache takes it time
But you'll get over yours
And i'll get over mine


3.4.09

A Noite

Nos últimos meses o tempo tem passado a correr. Os dias seguem-se a uma velocidade vertiginosa. Falta a disponibilidade para as coisas que mais gosto. Aqui e ali lá vou escapando por minutos. Preencho o tempo que me sobra com algo que me devolva o sorriso. E o alento. A coragem para continuar a viagem. Procuro nas noites o calor que me falta. Ontem foi noite de fugir. De me perder novamente. Encher A Noite com palavras. Com imagens que não vão fugir. Ler Al Berto nunca mais será o mesmo. E isso é estranhamente bom...

A Noite


A queda da laranja provocará o poema?

A laranja voadora é, ou não é, uma laranja imaginada por um louco?

E um louco saberá o que é uma laranja?

E se a laranja cair? E o poema? E o poema com uma laranja a cair?

E o poema em forma de laranja?

E se eu comer a laranja, estarei a devorar o poema? A ficar louco?

[...]

E a palavra laranja existirá sem a laranja?

E a laranja voará sem a palavra laranja?

E se a laranja se iluminar a partir do seu centro, do seu gomo mais secreto, e alguém a [esquecer] no meio da noite - servirá [o brilho] da laranja para iluminar as cidades há muito mortas? E se a laranja se deslocar no espaço - mais depressa que o pensamento e muito mais devagar que a laranja escrita - criará uma ordem ou um caos?

Prefácio para um livro de poemas - Al Berto


26.3.09

Take away smile





Estes Take Away Show's deixam-me sempre deliciada...
será que um dia me cruzo com um?


19.3.09

Next step


Acabada a tortura dos Cuidados Intensivos poderia dizer que me sinto exactamente no ponto para o próximo desafio: Psiquiatria! Se no estágio anterior passei o tempo com um enorme receio de cometer algum erro e pôr a vida de alguém em risco, aqui mantém-se o medo de errar...e que isso me ponha em risco! Sinto que ainda me falta muito para ter a resposta certa para cada desafio e que cada palavra ganha um peso que desconhecia. Se nas últimas semanas investi principalmente a nível técnico, aqui compete-me desenvolver a comunicação e a relação de ajuda...garanto-vos, é tão mais fácil lidar com máquinas!


p.s.: numa das paredes da clínica encontrei este cartaz e subitamente senti-me em casa...

12.3.09

Dei cabo dele!


Está feito! Acabou-se a tortura! Chegou ao fim o estágio mais infernal de que há memória. Resta-me guardar as memórias na gaveta que diz
dias maus e concentrar-me apenas nas (poucas) boas recordações que ficarão para sempre, como as palavras que ouvi hoje e que me dão a motivação que necessito para continuar o meu caminho...

Plano de trabalho: respirar fundo, fazer arrumações e aproveitar esta pausa para repor o balão das coisas boas :)


6.3.09

Where do you find love?


Sometimes all you need is a sign.


Estou apaixonada por esta curta e não resisto a partilhá-la...é tão bom sonhar!


p.s.: estas pequenas coisas devolvem-me o sorriso que ficou perdido algures...

3.3.09

às voltas com o bicho #2


Ultrapassado o primeiro impacto, passei à fase em que tive de me habituar a todo o aparato. Se fechasse os olhos poderia ouvir uma espécie de melodia produzida pelos ventiladores e alarmes que não se calam. Sempre que me deito para dormir continuam a tocar nos meus sonhos atribulados. Lentamente fui-me adaptando, aprendendo a sobreviver naquele sitio, conheci os cantos à casa, apliquei-me no estudo, dediquei-me a compreender tudo o que se passa à minha volta mas... o que realmente me custa é o contexto. É dificil de explicar mas a verdade é que sempre me custou prestar cuidados nesta fase da vida. Sempre me custou lidar com a efemeridade da vida. Com o facto de "agora estarmos aqui e daqui por um minuto já não estarmos". Poderia dizer-se que é medo da morte mas...parece-me que é mais que isso. O que me incomoda é todo o processo anterior de incapacitação, de deterioração do corpo e, principalmente, da mente. Custa-me que a vida e a morte não sejam separados apenas por segundos, que façam parte de um continuum em que vivemos diariamente e que, por vezes, se arrasta por demasiado tempo. Aqui revolta-me a luta continua pela vida...afinal o que é isso de estar vivo? Questiono-me se aquelas pessoas quereriam realmente viver rodeadas de todo este aparato ao invés de simplesmente partir. Não seria mais humano respeitar a vontade do corpo que cansado se vai deixando ficar? Não seria mais correcto que deixássemos de lado este suporte artificial de vida que traz consigo tanto sofrimento? E nem falo apenas da eventual dor que a pessoa possa sentir...falo da mais que certa dor dos seus familiares e amigos que vêem também as suas vidas colocadas em stand by...

...lentamente vão-se construindo certezas: isto não é para mim!


p.s.: continua a contagem decrescente: faltam 5 turnos!

1.3.09

lições do dia-a-dia


Surpreendentemente...resulta!

Esta foi a pior semana do último ano. Estive vai-não-vai para desistir de tudo. Para pegar na mala e, finalmente, ir embora. Virar costas e recomeçar do zero. Já em desespero, enchi-me de coragem e voltei ao local da tortura, para despejar algumas verdades...estranhamente resultou: ouvi um pedido de desculpas (pouco sentidas, é certo!) , aliviei o stress e ainda reconquistei alguma coragem para continuar. Até quando? não sei...mas continuo a sussurrar para mim: até aqui tudo bem!

p.s.: se usar esta técnica mais vezes talvez passe a sentir-me mais leve.

25.2.09

às voltas com o bicho #1


Ao primeiro impacto a sensação não foi agradável. Uma curta visita às instalações e chego ao open space…o sitio onde tudo se passa! As emoções dispararam: sinto-me perdida! Tento não olhar em volta para não ver mais do que me julgo capaz. Apresentada a equipa restava conhecer as unidades: aqui as unidades estão separadas por cortinas (…), aqui temos o ventilador X, que é diferente daquele na unidade 2, lembras-te? (…) esta é a nossa Prisma que é muito inteligente, não tens de te preocupar que ela diz tudo o que precisas fazer! (…), estas tomadas azuis são aquelas a que têm de estar ligados os equipamentos que nunca podem falhar, (…) ah, muito importante, aqui é onde se silencia o monitor! Senti-me atropelada por um interminável comboio de informação fundamental para a minha sobrevivência naquele sítio: se te esqueces de alguma destas coisas está tudo lixado! O Enfermeiro falava. O meu pensamento divagava para locais mais seguros. Olho para a cama e caio em mim: quem é esta pessoa aqui deitada à minha frente?. Falámos de parâmetros, de equipamentos, de monitores e de fármacos mas…isso tudo existe para prestar cuidados à pessoa, certo? Há todo um aparato em volta da pessoa, tudo é feito com o objectivo de garantir a sua sobrevivência mas esta espécie de coma induzido facilita que nos esqueçamos que, por detrás de todos aqueles fios e sondas, existe uma pessoa. Os monitores piscam a cada segundo, os alarmes tocam a cada alteração mas certamente nenhum deles vai tocar à campainha para pedir que lhe puxe a almofada para cima. Nenhum deles vai interromper a minha excursão à sua unidade para dizer ofendido: olhe que eu estou aqui!
(...)

14.2.09

vidas alternativas #3


o problema são as palavras. as tuas. que me trocam as voltas todos os dias. já tinha dito que não passava de hoje. nem de ontem, ou do dia anterior. todos os dias me prometo que vai ser diferente. que não me deixo levar. amanhã vou ser capaz de te pedir as respostas. vou dizer-te que já não me chegam as palavras. que preciso também dos braços. e dos abraços. que não quero ter de fingir-me forte outra vez. que já me chega usar máscara quando ando lá fora. que pelo menos aqui quero ser eu. que estou farta de viver a migalhas. que tenho fome de mais. da próxima vou fazer-me de má. vou mostrar cara feia às tuas provocações. mas tu vens e dás-me a volta. outra vez. falas-me dos teus desejos. parece que adivinhas as minhas intenções. partilhas as memórias de outras viagens. e eu recordo as imagens deixadas. contas-me os teus sonhos que também ficaram no papel. sinto-me derreter. mostras-me o sorriso. eu não resisto. dizes que preferes viver de ilusões. e eu encolho-me e acedo. porque também tenho medo de arriscar na vida real.


10.2.09

o bicho papão

Todos temos os nossos medos. É um facto. Confesso que desde o inicio do curso os meus maiores medos sempre foram os estágios. A cada inicio lá vinha outra vez a vontade inconfessável de desistir. Na minha cabeça mil e uma desculpas para que o curso ficasse por ali. O certo é que, um atrás do outro, lá se foram passando. Somam-se já dez locais de estágio a que, aparentemente, resisti. Com muitas mossas é certo. Com muita coisa que ficou fechada a sete chaves na gaveta que diz: para pensar mais tarde - se possível nunca!. Também é certo que cresci muito. Não por fora, que isso já não tenho esperanças, mas por dentro. A cada etapa que ultrapasso lá vai crescendo a confiança em mim (que sempre foi muito pouca...). Os últimos cinquenta turnos em cuidados de saúde primários (acabadinhos de fazer 6ª feira...snif, snif!) fizeram de mim uma pessoa crescida. Acabei o estágio com o ego lá em cima. Sabendo que nunca poderia sentir-me realizada se não fosse Enfermeira. Voltei para casa com um série de certezas que me fizeram feliz durante horas...mas que entretanto já nem me lembro quais eram! Talvez porque estou apavorada. Seguem-se cinco semanas do estágio que mais temi desde sempre: cuidados intensivos! É escusado dizer que não me sinto preparada. Que tremo só de pensar. Que já quis começar a contagem decrescente para o final mas que nem isso fui capaz! Este é o meu bicho papão. O monstro que me tem amedrontado nos últimos meses e que agora me sopra ao ouvido. Tento organizar as papeladas mas nem sei por onde começar! Ontem olhei para a minha escala e tremi: só turnos da noite! (vá, lá haverá uma ou duas tardes escondidas pelo meio!). Se por um lado me resolve o problema das insónias crónicas...por outro deixa-me adivinhar que serão semanas duras a trabalhar num fuso horário alternativo! Bem, dito isto...


vou ali dar a volta ao bicho!




5.2.09

maybe...

Photobucket

Jamal Malik: Maybe it's written


p.s.: ...e arrisco dizer: este vai ser o melhor filme do ano!


29.1.09


Não é fácil viver com segredos. Coisas que não posso contar. Imagens que não se partilham. Dores que me preenchem os dias. Palavras que não me saem dá cabeça. A angústia que aumenta a cada dia. O ponteiro que não pára. E sempre o medo que me vence. Que não deixa sair nada. Sinto-me prestes a explodir. Basta um toque e desfaço-me. Apetece-me gritar. Deitar tudo cá para fora até não restar nada. Inventar palavras para tudo o que trago comigo. E depois fugir. Para longe
. Desaparecer. Se possível para sempre.


@ In the Mood for Love


Chow Mo-wan:
In the old days, if someone had a secret they didn't want to share... you know what they did?
Ah Ping: Have no idea.
Chow Mo-wan: They went up a mountain, found a tree, carved a hole in it, and whispered the secret into the hole. Then they covered it with mud. And leave the secret there forever.


26.1.09

cartas


As cartas sempre me fascinaram. Tinha oito anos quando comecei a trocar correspondência. As primeiras moradas vieram do Clube da Verbo. Meninos e (principalmente) meninas da minha idade, espalhados por todo o país. Muitos ficaram perdidos após uma ou duas cartas. Com alguns cheguei a encontrar-me. As minhas constantes mudanças de casa fizeram com que esta fosse a única forma de contacto com os amigos que ia fazendo em cada morada. Fizeram também com que estes fossem os meus únicos amigos constantes. A vontade de conhecer outros mundos fez-me alargar a rede de pen-friends. Houve alturas em que trocava cartas com pessoas dos cinco continentes. Além disso mantinha correspondência com colegas de escola que também tinham o mesmo fascínio pelas cartas. Alguns ainda hoje se mantêm, deixando a sensação de poder sempre contar com eles. Depois vieram os tempos dos namoros por carta. Das promessas de amor escritas e assinadas. A verdade é que os conteúdos das cartas foram variando com os anos, mas as emoções mantêm-se. Sei que os melhores amigos são aqueles a quem posso escrever, com a certeza de receber uma resposta na volta do carteiro.

Costumava dizer que a caixa do correio era o meu sitio preferido da casa. Resolvi dedicar-me à sua manutenção. Todos os Verões lá andava eu a retocar a pintura, a olear a fechadura…nada se compara à emoção de abrir aquela caixinha mágica e encontrar um envelope dirigido a mim. Tudo começa no encanto do próprio envelope, a que se junta a beleza dos selos. Por norma passo horas a observar o invólucro até finalmente ganhar coragem para ver o seu conteúdo. Abrir uma carta envolve todo um ritual. Todas elas são únicas e merecem ser abertas num ambiente específico. Algures, do outro lado do mundo, alguém “perdeu” o seu tempo a escrever-me e merece portanto toda a minha atenção…ainda que por apenas alguns minutos. O tempo que leva desde a sua chegada até que seja aberta vai variando, conforme me ligo a cada pessoa. Já tive cartas que andaram comigo vários dias até serem abertas…dão-me a sensação que, se tudo o resto correr mal, tenho ali uma espécie de tábua de salvação. Uma alegria para os tempos difíceis. Um sorriso para dias mais cinzentos. Uma reserva de energias para quando me perder no caminho...

Com o passar dos anos este hobbie tem-se tornado cada vez mais difícil de alimentar. Por um lado a internet leva a que muitos pen-friends deixem as suas canetas e optem pelos e-mails. Por outro facto dos CTT simplesmente não funcionarem também não ajuda. Enviar cartas dentro do país já é uma aventura…quanto mais conseguir que elas nos cheguem às mãos quando vêm de outra parte do mundo. Passam-se meses sem que receba uma carta e muitas das que envio não chegam ao destino. Em muitos dos casos passei a usar o e-mail para manter o contacto mas a verdade é que não sabe ao mesmo. A verdade é que hesitar durante horas abrir a caixa de correio electrónico (sim, acontece!) nunca será o mesmo que viajar com um envelope por abrir na bagagem. Nunca qualquer tipo de letra catita chegará à beleza da caligrafia por vezes indecifrável. Nunca qualquer anexo terá o valor dos bilhetes de comboio trocados nos envelopes (ficaria aqui toda a noite a descrever as coisas estranhas que troquei por correspondência). Nunca conseguirei transmitir por e-mail as emoções que deito no papel. Nunca as palavras escritas na tela terão o mesmo valor das outras, as verdadeiras, desenhadas no papel…


…sinto tanta falta dessas cartas!



21.1.09

In The Mood

Say what you want now make you cry
You say how you feel make you cry
Forget all the trying now make you cry
It does not matter no more
You know these arms
How they hold you so tight
These needs of mine
I can’t tell either way
...
I won’t make you cry
Tell you lies
Never say goodbye


14.1.09

vidas alternativas #2

E se eu te mostrasse o que há por debaixo da máscara do sorriso? E se fosse capaz de me mostrar de verdade? Sem ter de fingir para que sinta que gostas de mim…como seria se baixasse as armas, expondo as minhas dúvidas? Como seria se te mostrasse que não sou forte, que me faltam respostas para tapar os vazios onde moravam as certezas? E se descobrisses que tremo por dentro a cada escolha? E se visses que nem sempre sei para onde ir? Se soubesses como me sinto perdida…e se te confessasse que aqui faz sempre frio? E se visses em mim uma alma gelada? E se te admitisse que me faltam as forças? Que farias se te dissesse que preciso da tua mão para me puxar? E se tivesse coragem de dizer-te que me sinto sozinha? Que tenho medo das noites que me trazem de volta esta ausência e a ânsia de algum conforto…e se conseguísse mostrar-te como tenho medo? E que este medo me impede de arriscar pedir mais por temer perder este nada que conquistei…e se fosse capaz de sussurrar como me faz falta um abraço?


8.1.09

quase, quase perfeito!


Céu limpo...

sol...

e frio, muito frio!

p.s.: só falta o cházito e o bolinho ;)


6.1.09




"Vou contar-te a minha história:
tinha 17 anos e lancei a cabeça a um poço, fiquei à espera.
"

Vasco Gato in 47



...agora volto, lentamente, à superfície.
(continua)

p.s.: há livros que nos chamam...;)

3.1.09

e agora???


...agora fico aqui sozinha!


Durante o último ano foram a minha melhor companhia. Deram-me as mãos em silêncio. Empurraram para a frente quando julgava não ter mais forças. Levaram-me para a relva e fizeram-me rir...quando tudo o que mais queria era fugir. Têm os sorrisos mais bonitos. Dão, literalmente, os maiores abraços que conheço. Sem eles o açúcar perde o doce. Os gelados de Inverno não têm o mesmo gosto. Muito mais haveria a dizer mas...não encontro palavras que lhes cheguem! Agora aí vão eles: um por aqui, outro por ali. Um para o frio, muito frio, outro para o quente, muito quente. E eu fico por cá, de coração apertado (cheio de inveja, diga-se), a torcer por eles e na ânsia que regressem!



p.s.1: talvez isto explique o mau humor dos últimos dias. Suspeito que se tornará crónico...pelo menos até à Pascoa :S

2.1.09

restart


Uma mesa de café. Um líquido quente. Lá fora a chuva. À minha frente uma agenda vazia. Cheia de dias por preencher. Na mala trago o livro que sempre me acompanha. Vou lendo à medida que o sol se esconde sob o mar. Procuro nas entrelinhas os detalhes escondidos. Perco o olhar na maré. Relembro as lições aprendidas no ano que acabou. Os sorrisos desenhados. E as lágrimas perdidas. Escrevo nas páginas vazias os sonhos para o ano que agora começa. Listo cada desejo, para que não me perca no caminho. Prometo-me não cair nos mesmos erros. É desta que vou ser capaz de mudar. Pôr em prática cada lição aprendida. É este ano que ponho fim aos treinos dos últimos tempos e começo o jogo a sério...

...será?


29.12.08

Pause


Como uma miragem no deserto, surge à minha frente uma semaninha de férias...finalmente algum tempo para gastar com o que mais gosto. Seguem-se mais uns dias de "arrumações", conforme se espera no final de cada ano. Planeio repôr os açucares e as conversas. Os sorrisos e os abraços. Os passeios à beira-mar e os cafés ao pôr-do-sol. Na bagagem trago muitos filminhos para ver no sofá enroladita na mantinha e também uma lista infindável de sítios para passear. Apetece-me sair por aí e descobrir novos recantos...pena que seja tão pouco tempo para tantos sonhos!